terça-feira, 24 de março de 2015

O GRANDE TRUQUE TECNOCRATA E NEOLIBERAL

Inexoralvemente na ponta da modernidade, do neoliberalismo (como pode ser neo se é liberalismo e se veio antes até mesmo do socialismo?), deu à escuridão (não à luz) da vida social uma série de neologismos, que não passam de truques tecnocratas de palavras bonitas, emolduradas, para assegurar um sistema falido, ultrapassado, roto, desgastado, baseado no capitalismo selvagem, desumano, cruel, um procedimento de Judas a troca de um monte de moedas. Frente à palavra terceirização coloco o sonho de Isaías e meu menino bonito e de esplendor há de nascer no reino daqueles que são os verdadeiros herdeiros de toda a produção e riqueza nacional que são os sofridos trabalhadores, este menino, esta idéia magnífica do senhor da justiça está a vir, a chegar, pois todos já estão a perceber que uma benção abraâmica paira sobre todo aquele que é perseguido, torturado e escravizado. Enquanto adiarmos nossos compromissos com a sociedade e tornarmo-nos reféns dos algozes ditadores, da fúria dos lobos do mercado transmutados em cordeirinhos e pombas midiáticas ou permitirmos que degolem nossas decisões democráticas, ou jogarmos a culpa nos demais, os terceirizadores alçarão seus vôos rasos sobre a sofrida sociedade. O que desejam é a besteliazação dos cidadãos, a alienação completa, transformar todos em bobos da corte, conduzir a população ao orgasmo do voyeur através da podridão dos programas e novelas de algumas redes de televisão atreladas ao capitalismo internacional, contrárias ao nosso nacional-desenvolvimentismo e para isto basta sucatear a educação e minar os programas de pesquisas. A globalização sempre existiu deste Alexandre Magno, mas quando a gente começa a usar um relógio com pulseira da China, mostruário da Índia, presilhas do Japão e por trás deste pequeno aparelho há uma multidão de escravos alienados em seus trabalhos, significa que devemos repensar a globalização porque o sol que se põe além do nosso horizonte é o mesmo de cada levante de nossas manhãs. O fato de estarmos abertos a todas as culturas, a possuirmos uma linguagem dialógica com todos os povos e um sentimento cósmico, holístico, não nos isenta e nos desloca de sermos a essência cultural de nossa aldeia; porém o capitalismo selvagem não respeita nossos limites sociais e querem um exemplo? Olhem o mapa da África! Todas as fronteiras são linhas retas como aquelas colchas de retalhos que nossas avós cerziam! Por quê? Perguntem às potências europeias que invadiram e dizimaram o território africano e verão o que fizeram com milhares de culturas invadidas, divididas e conduzidas à fome, à miséria. Os filhos do Iluminismo, da Era das Luzes, usaram erroneamente as grandes idéias de John Locke,Jean Jacques Rousseau, Montesquieu, Voltaire, Diderot, D’Alembert e se tornaram como aves de rapinas, usando de novos vocabulários, neologismos e encontrando as mais esdrúxulas justificativas para suas atitudes cruéis. Nossas tradições não permitirão de forma alguma após as conquistas cultivadas nos últimos anos, as multiculturas que nos formaram, como a africana, a indígena, a ibérica, a européia, asiática (vocês já perceberam que as Américas são um apêndice da Ásia?), pois nossos braços são flexíveis ao ponto de aconchegarmos uns aos outros e não os colocaremos ao dispor da selvageria do capital para levar-nos a um estado de apodrecimento social em troca do enriquecimento de um punhado de capitalistas desumanos. Qual o destino de uma sociedade que delega a terceiros a responsabilidade que cabe a todos? Onde vão parar os cidadãos de um País globalizado, neoliberalizado, com seus trabalhadores vestidos de macacões carimbados por terceiras empreiteiras com terceiras intenções? Qual o destino de uma Nação com o governo totalmente privatizado, globalizado, terceirizado, administrando (?) um povo sub-assalariado, sem escolas públicas, sem hospitais públicos, sem destino público? É notório observar tratar-se aqui não de ser contra o capital privado, ou a empreiteira, o que não se aceita é a continuação da escravatura e da solidão humana dentro de sua própria Pátria. Podemos possuir perfeitamente empresas estatais e privadas simultaneamente comungando os mesmos negócios, mas visando o interesse do cidadão brasileiro e não os próprios interesses ilícitos. Não importa quem detém o capital se é o Governo, o privado, particular ou ambos ao mesmo tempo, mas é mister que todos visem uma educação necessária e correlata como guardiã dos nossos bens produzidos. Quando pensamos na alta taxa tributária sobre as mercadorias e que 30% de nossa produção se perde na rede de esgoto do transporte descuidado, do armazenamento irresponsável, da fragilidade das embalagens que se preocupam mais com a propaganda do que com a conservação, começamos a repensar o preço final de todos os produtos e perceber que toda a população está pagando caro, inclusive com a escassez e a fome. Há esperança? Não há dúvidas que dentro da alma humana há uma co-participação universal. Quando sabemos de uma queda de um avião, um terremoto, uma inundação, um maremoto, sentimos uma dor profunda. Parece que estamos a olhar o mais distante e esquecemos do mais próximo. Precisamos ter a acuidade visual de Euclides da Cunha e Guimarães Rosa, que pararam de olhar a Europa como centro do mundo e foram perceber, descrever e sentir a verdadeira alma brasileira do interior e do sertão. Porém nossa consciência está no nível daquilo que denominamos olhar do umbigo. Estamos dentro da sociedade e não conseguimos perceber seus problemas essenciais conduzindo-nos a uma visão miúda e mesquinha. Deveríamos ser até mais sensíveis quando olhássemos nossos umbigos, pois se nossos nomes são em nome do Pai, nossos umbigos são em forma da marca de nossa Mãe, um registro gravado a ferro quente. E nossa Pátria é tão importante para nós como nosso Pai e nossa Mãe. Olhem, há uma hecatombe social mil vezes maior que todos os terremotos, maremotos e inundações e ela está debaixo de nossos olhos. Não abandonem os conceitos de justiça social por conceitos modernos de mercado, que pelo fato de apresentarem-se como modernos não significa que seja uma saída para a miséria, a fome e o flagelo de nossa Nação, porque eles enganam a todos com seus neologismos neoliberais. Por serem modernos não significam que são novos e esta avalanche de usurpação do homem e do meio ambiente é muito antiga e tornou-se mais voraz a partir do desenvolvimento da sociedade capitalista e do pensamento cartesiano.

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